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Preservação do Dorso na Rinoplastia Preservadora

Atualmente, destaca-se muito, na cirurgia plástica de nariz, o conceito de rinoplastia preservadora. É uma nova visão, filosofia e técnica em que acredito muito e acho excepcional para a maioria dos pacientes. Essa técnica se baseia em três pilares fundamentais:

  1. Elevação intacta do tecido cutâneo, que é o tecido mole do nariz que recobre sua estrutura;
  2. Preservação das cartilagens da ponta do nariz;
  3. Preservação do dorso do nariz.

Esse último é o mais importante e será o assunto que falarei nesse texto.

Afinal, por que preservar o dorso do nariz?

Existe uma grande parcela de pacientes que se incomoda muito com a giba nasal, que seria a elevação no dorso do nariz. E quais são as possibilidades de melhorar esse aspecto?

Preservação do Dorso na Rinoplastia Preservadora 1

 Para responder a essa pergunta, vamos observar o nariz em uma visão frontal:

Aqui, temos ilustrada a estrutura do nariz. Em cor de areia, está representada a parte óssea. Em azul claro, está a porção cartilaginosa, com as duas cartilagens mais à frente compondo a ponta do nariz, enquanto a porção mais atrás compõe o dorso cartilaginoso, que é firmemente aderido ao dorso ósseo.

Preservação do Dorso na Rinoplastia Preservadora 2

Uma das formas de reduzir a giba seria por meio de raspa ou escopo dessa região. Só que, à medida que raspamos o dorso, o teto vai se abrindo e, com o passar do tempo, a cicatrização da região pode ocorrer de forma diferente. As paredes cartilaginosas, por serem mais maleáveis, tendem a se aproximar mais entre elas em relação à aproximação das paredes ósseas. Isso pode gerar, no futuro, o temido V invertido, que seria essa marcação mais nítida na região central do nariz:

Preservação do Dorso na Rinoplastia Preservadora 3

 

Além disso, pode surgir, também, irregularidades no dorso do nariz, ou pior, comprometer a respiração nasal. Vamos pegar esta imagem da base do nariz para entendermos melhor:

Dentro do nariz, temos o que chamamos de válvula interna, que é uma estrutura composta, principalmente, pelo septo e pela borda inferior da cartilagem que compõe o dorso nasal. A válvula é fundamental para a manutenção e boa passagem de ar pelo nariz.

Em verde, estamos ilustrando a passagem de ar pela válvula interna antes de uma rinoplastia. Então, se realizarmos a destruição desse dorso de forma irresponsável e sem realizar nenhuma medida para preservar a válvula, as paredes cartilaginosas tenderão a se aproximar com o passar do tempo, reduzindo a área viável de passagem de ar para apenas a área marcada pela cor rosa:

Assim, perde-se uma grande área para a passagem de ar, representada pela cor verde, que existia antes da cirurgia.

Preservação do Dorso na Rinoplastia Preservadora 4

Portanto, para tentar corrigir tais alterações, foi pensada e desenvolvida a colocação de dois enxertos, normalmente tirados do próprio septo, e que estão representados na cor verde:

Preservação do Dorso na Rinoplastia Preservadora 5

Eles são colocados paralelamente ao septo remanescente, na altura do dorso:

Preservação do Dorso na Rinoplastia Preservadora 6

Já o restante do septo que foi removido é utilizado como enxerto para o suporte de outras regiões do nariz, como o extensor septal, conceito bem desenvolvido e aplicado na rinoplastia estruturada.

Rinoplastia Presrvadora – Presrvação do Dorso Nasal

E se, ao invés de destruirmos o dorso, correndo todos esses riscos, nós o conservássemos ao máximo? Essa é a ideia da preservação do dorso nasal na rinoplastia preservadora. Nela, realizamos ressecção de uma tira de septo logo abaixo do dorso:

Preservação do Dorso na Rinoplastia Preservadora 7 

Depois, realizamos osteotomias laterais e transversa, de modo que conseguimos abaixar todo o dorso sem destruí-lo.

Preservação do Dorso na Rinoplastia Preservadora 8

Por fim, trabalhamos a ponta do nariz, para ela ficar harmônica com o novo dorso nasal.

Após a ponta ser trabalhada, esse é o resultado final:

Preservação do Dorso na Rinoplastia Preservadora 9

Então, com a preservação do dorso do nariz, teremos um resultado natural, com linhas suaves, menor inchaço no pós-operatório, menor probabilidade de retrações cicatriciais ou marcações tipo V invertido, menor probabilidade de retoque e, quando for preciso, será muito rara a necessidade de enxerto de costela. Por fim, e importantíssimo, não haverá comprometimento da respiração nasal. Por esses motivos, acho essa técnica fantástica.

 

Espero que tenham gostado do conteúdo e que possa ter esclarecido ao menos um pouco sobre o assunto. Em uma próxima oportunidade, irei falar sobre o segundo pilar da rinoplastia preservadora, que é a preservação das cartilagens da ponta do nariz e do ligamento de Pitanguy. Até lá!